Reconheço como própria, verdadeira, legítima esta minha exploração pela auto publicação. A convocação para autenticar sua voz, sua identidade, suas aleatoriedades se baseia na própria experiencia em me submeter ao mundo virtual liberando cada postagem ao externo. Que nossos limites sejam redefinidos.. Hoje me torno cobaia do mundo blogueiro, mas também autentico sua liberdade em participar dessa via.. Via sem o "todavia" da língua portuguesa.. Que experimentemos nuestra autenticidad todavía...(y que el blog lo complete!)

14 de out. de 2011

Só porque ela resolveu assim bater, resolvi escrever. Vem assim, cheia de graça, charmosa se exibindo. Sabe que quando surge, não poupa ninguém dos seus ares. Aparece sem hora marcada; remexendo lembranças há muito escondidas. Bom saber que não mudara o que tanto me atraía. E ao se afastar, me fez questionar, se sua graça esqueceria. Apenas saberei no vislumbre, quando sua visita roubar palavras antes ditas.

10 de mai. de 2011

Hogar

Ao adentrar, peito à frente, logo sinto as crostas fétidas. Desvencilho-me do seu olhar e me permito adentrar, desta vez acompanhada de tudo que é acobertado pelo escudo de pele. Já não sei onde pisar. Esse leve chiado, mesmo que algumas vezes interrompido, é capaz de me remover da superficialidade desta casa que ninguém toma como lar. Nem uma bêbada cambaleante com seu saco de estopa ferido pelas pedras consegue me enojar mais que ver este vazio. Agradeço por não fazer parte dele enquanto sofro com a consciência de notá-lo. Sem se lamentar, cada tijolo exposto se desfalecerá. Nada como um bom par de botas e algumas remanescentes lembranças para rapidamente me socorrer, deixando mais distante a memória de um hogar. A silenciar.

23 de dez. de 2010

No mar amado

coracao viajante
saudoso contempla a chuva
a disseminar esperanca para os que se amam
a refletir a tristeza dos que longe se desejam
a alimentar os sonhos de quem anseia
o encontro das aguas com o mar.

5 de out. de 2010

Vem fazer carinho
Falar baixinho
Exalar um arrepio
Citar só o refrão
Assim levito na paixão, que quando sonho é solidão.
Abrir os olhos e ter você, abomina o suspiro de qualquer bordão.

21 de set. de 2010

Fagulhas

como deixei meus instrumentos tristes, sem lhes dar um breve suspiro através de um sopro típico de tirar pó. quantas vezes algumas palavras ocas podem preencher a alma e as muitas densas frases ecoar nas paredes de cada mundo? Mundo, que oco, não fere mas não gera. abrir mão pode abrir um coração. sem lhes dar a chance, perco a arte e me resta menos do que escolhi reter, uma mediocridade digna de sobras. sopro as fagulhas para aguardar a brisa da paz. esta sim nos preencherá.

30 de jun. de 2010

Maturação

Enxerguei a verdade
em frutos dependurados.
Pendurada também estava.

Meu destino sabido
ainda me provaria
que a aflição da espera
e minha convicção juvenil
não aceitariam a brisa
que sem fôlego me deixaria
ao derrubar minha ilusão.

Prematura estava
aguardando uma nova versão,
mas a natureza revirava
toda saudade sem inovação.

10 de jun. de 2010

Sem dizer


não chegaria a empregar um superlativo
porque se o tudo é nada, nunca temos nada.
não abusaria da sorte,
porque se ela realmente existe, não temos coincidências.
prefiro ter coincidências.

não compraria tempo,
porque o gastaria pensando em como estocá-lo.
não ignoraria todas as datas,
porque sem marcos o tempo se desfalece.
também não exigiria datas,
porque boas memórias vem ao coração e não à mente.
prefiro sentir com o coração.

não mudaria nada,
porque o futuro também não se altera.
não paralisaria os momentos bons,
porque não quero excluir a humanidade do nosso sorrir.
não desperdiçaria um segundo sequer,
porque sei que comporia um pouco mais de historia.
não fantasiaria o porvir,
porque não consigo surpreender a vida!
prefiro viver.

sem superlativos,
sem atribuiçoes ao acaso,
sem precisar de dia certo,
e sem precisar lembrá-lo!
sem questionar o passado,
sem desejar a perfeição,
sem saber o final desta declaração,
evoco você no meu vão.

8 de mai. de 2010

Como seria se apagasse a dor ao mergulhar naquela depressão..enfiou-se sem sequer considerar as consequencias de aprofundar mais aquela ruga. Entrou de supetão, rasgando as extremidades emaranhadas na dor, no sofrimento, na vida. Era um rasgar de verdades que não deixava sequelas. Não dava esperanças. Não dava chance de se recompor. Nadou até encontrar o fim, a subida, a diminuição da profundidade. Respirou futilidade. E ao cavar dentro de si o que lhe dirigia, encontrou-se segurando as beiradas com tanta força que suas unhas se dobravam. Mais parecia uma cena de aflição do que de libertação. Liberdade esta que não passava daquele perímetro estreito, enviesado, experiente como toda ruga da velhice. Pensava na resposta àquela pergunta inicial, e descobriu que aquela cavidade mais parecia uma imensidão. E sua dor se evaporava à medida que um sorriso tentava empurrar as mesmas rugas, antes profundas, agora juntas numa mesma direção. Deparou-se com tantas delas que não acreditava no que via, parecia ficção. E era, pois há muito não era.

12 de mar. de 2010

Sambava

sambava
entre apertos e tormentos
sambava seu tremor em pernas bambas e pes dormentes.
Doentes, dentes, desmerecidamente
sambava.
vento a entornar
o que jamais teve presente
a esgotar os lampejos da mente
sambava descrente, seus nós em frente..

20 de dez. de 2009

Samba Degringolado

vem morena
se liberta desse perigo
nem adianta abrir o olho
dar aquela piscadela
todo esse charme nao funciona
onde o desanimo desatola
somente aos desinquietos

incorpore aquele teu charme
e honre os velhos desencantos
de uma sala desbotada
de tamboretes apoiados
de um cavaco empoeirado
de um povo desvairado
sambando a tristeza adoidado!

largue logo esse teu devaneio
esse teu desencontro com o sabido
o escuro do salao lhe deseja
que a tristeza nao
a felicidade sim
vem ao desfavor de uma multidao
ao som do caminhao!

respire a escuridao no ar
que vem ao seu descuidar
enquanto a musica nao toca
a lua se desentoca
e se relembra dos tempos de roda
dos versos timbrados e
cada batida rimada do seu saculejar

tua desistencia nao faz crer
nao inspira aquela crianca
que se recusa a admitir
aprendeu a sambar muito antes
desse seu olho hoje atento
deslumbrar ao sambista cego
que ainda batuca sua batida preferida

8 de nov. de 2009

Riscos ao léu

Riscos. Até onde nos arriscamos?
Fui levantada da cama para tirar a poeira do blog com este tema.
A hesitação em me enfiar pelos poucos centímetros da porta do metrô versus o berlinense repetidamente trazendo um fugitivo no porta malas de seu carro.
Por que nos arriscamos tanto por tão pouco frequentemente e poucas sao as memórias de grandes riscos assumidos conscientemente em troca de uma convicção?
Convicção esta por um dever, um valor, uma crença de estar fazendo o correto, uma sede de poder, ou por pura ignorância. Pensei nos milhares de muros de Berlin aos quais somos reféns e na ousadia que deriva de algo tão ensurdecedor ao ponto de nos atirar via subsolo, via ar, via os próprios postos da fronteira. O que nos rege a metabolizar o risco em prol de uma causa?
Será que escolhemos os riscos que conscientizamos já que constantemente estamos em risco? Quero encontrar aquela fagulha que me faz ser exposta sem pestanejar. Quais são os muros de Berlin da minha geração? Fervor político já não arrasta uma multidão para a Cinelândia? A coragem está individualizada, ou pelo menos disfarçada e não noticiada.
De qualquer maneira, se ainda busco a convicção sobressalente como posso estar perdendo o sono sobre riscos?!? Este é minha cortina de ferro. Coragem, já diziam, coragem!

O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..
Guimarães Rosa

1 de nov. de 2009

Silêncio

Era meu silêncio do silêncio, da música tocando. Uma raiva, um ranço de fardo. Continuei pelo corredor sem focar nos números. Quem eu perseguia já não se encontrava mais lá. Vinha de dentro de mim um ardor que não adiantava quanto eu me movesse, de lá não sairia. Cheguei aos degraus, ao fim do corredor. Respirar – eu me lembrava. E se passava tudo que fui desovando, ate me encontrar, lembrando. Respirar, dizia. Presa da minha angústia, não sabia que continua. Ela me silencia.

26 de out. de 2009




vemos tantos pores-de-sol mas poucos nasceres...espero que lhe inspire como um dia já me inspirou... (talvez alguns reconheçam o cenário)



23 de out. de 2009

EXTRAÇÕES DO BAÚ ...(5)

Circo Vencedor

Vá e se esqueça
Por que você presencia esta guerra?
Internamente você tapa seus desejos
O rosto firme e confiante
Delatando uma coragem
Essa dor que sempre cresce
apegada à tanta forca
me assusta sua habilidade.

Ontem nem imaginava
Amanhã se vangloria
A partir de tantos segredos
só merece vitória e melancolia.

Exaustão se enxerga
nas finas linhas quando sorria
Apesar dos símbolos envelopados
A coragem devaneia com muita sabedoria.

Vá e se esqueça
Meus pesadelos são suficientes
Suporta e se abala
vivendo uma tontería
e cansados vamos
nessa longa euforia...

EXTRAÇÕES DO BAÚ ... (4)

Respira, é inspiração!

Às vezes você me cansa
Me canso só de imaginar
minhas mãos cansadas de te perseguir!
Tão chatas, às vezes insistentes.
Me canso de te procurar
te empregar para expressar
Depois me canso de te esconder
ou você quem foge de mim?
Discretas geralmente
aparecem e insistem
lhe usam, não sabia?
Como podem ser aplicadas
essas palavras!
Quanto mais aprendo
mais não sei
Chatas, já se foram outra vez.
Não te persigo dessa vez
estou cansada, lembra?
depois te escrevo
enquanto me descreve.

EXTRAÇÕES DO BAÚ......(3)

Today
I figured we can only live today.
The future may be planned, the past remembered, but something about the present makes us alive.
Although everything comes and goes, including our own being, a present time in space always takes place.
That is what I seek for…
The moment where present meets life and reality reborns.

EXTRAÇÕES DO BAÚ....(2)

Amando mais
Sei que nos tornamos duros com a dor, frios, mas não com a paixão de amar. Essa facção criminosa suicida somente a nós hipnotiza – humanos com anseios, sem dentes para ranger ou pele para arrancar.
Desespero-me lhe esperando. Conto dias sem contar; sofro com a esperança de me entregar; durmo sem relaxar.
A vida ensina, mais uma vez, que o desejo de amar sempre retorna, e que meu coração, mais uma vez, pode se despedaçar.
Quem é você que penetra minhas entranhas adentro, vasculha cada buraco, cada plataforma e não me deixa respirar?
Quem me provoca tanto masoquismo? Que me vence e me envenena com essa poção secreta e sem antídoto?
Vou deixá-lo me salvar, mesmo que signifique a eterna maldição. Estou à sua procura oferecendo meu músculo, o que ama inocentemente e no momento não reage sem o seu olhar.
Pode levá-lo. Hoje meu coração nem merece meu pronome, não vive, não mexe, não consegue, porque só sabe amar.
Esse vício de você, essa multidão que me rouba o ar, me deixa às moscas e aos leões; esse mundo de infâmias somente quer me enganar.
Minha fé hoje se estende... Tenho fé de amar. Você transtorna meu mundo e hoje me observa e me ignora, me espera lhe beijar.
Na minha ânsia invisto todo meu romantismo. Usufruo de todos meus talentos, minhas reservas, minha sobra de esperança. Fecho os olhos e me debato nesse enorme vazio. Sem alma, sem peito, sem coração, sem desejo, me entrego.
Você nem se esforça para certificar. Você vê que agora só restou carcaça. O fim daquela pontinha brilhosa, que vive e se reproduz, aquela célula que se reconstrói, que transporta vida sem sucumbir, você a tem.
Engula cada mísera lágrima, cada célula minha que se forma antes mesmo de chegar a seus lábios. Leve toda minha esperança casada com fé para junto do seu segredo.
Deixe-me juntar com o resto do meu ser. Só aqui eu sei amar.
Se restos de nós são o que nos une, não tenho medo de apanhar. Ensino-me todo dia começando do passo um. Respiro me enganando que cada dia cresce matando meu vigor e ressuscitando meu sorriso. Vivo com dor, vivo lhe amando mais.

EXTRAÇÕES DO BAÚ! Todavia válidas...(1)

Shalom

I have this fear, almost undetectable, constantly reminding me of human fragility.
As I grow from and with my fear, my deserted passion reflourishes as a victory in from itself. Don’t know if the pain actually comes right along freight. May it be a warning, a sign or simply a consequence of my state of mind? To cope with the unknown challenges our spirit. The urge to touch and to assess drives out thoughts to, not a land nor water; somewhere where our feet don’t bear our body and our mind our conscience.
To question our power may atrophy our capabilities. Perhaps my fear results from the absence brought on by inaction. Body parts tend to lose function, but God gives me purpose.
This day is simply one more in which my clash between body and spirit proves that survival is not a lonely task. Even to survive there has to be guidance, and definitely some direction.
Will my fears overcome the duty? Or should these fears simply be components of my passion? To seek seems to be the answer, and now the question.
God has made me for a reason, and His promise remains “the Truth”. In the midst of doubts I am safe, because He brought light into the dark. He is the Light!
Shalom

21 de out. de 2009

Artilharia de defesa

Entre os risos dos adultos gordinhos e o reflexo daquela manha nas ondas, me perguntei como poderia ser aquela ilhota de felicidade no caos do Rio de Janeiro. Como poderia ser?
Será que levaremos nossas vidas até sermos os próximos chorando numa tela plana de uma família alheia? Era impressionante, cena de filme. Queria eu ter os dons para descrevê-la em detalhes. Uma simplicidade típica de fim de semana, uma areia tão perfeita em sua conjuntura que já nem enxergava suas impurezas..
Estamos numa notável onda de violência de acordo com os jornais. Um tsunami que passa e demora anos a retornar. Diria um tsunami do noticiário. Como distinguiremos o importante do urgente quando somos privilegiados ao tomarmos controle das manchetes e os machetes rotineiramente nos folheando ate a calmaria de uma manha?
Cada carioca se reconhece no amanha da banca de jornal e cada carioca se acostuma a despriorizar os alertas dos jornalistas, dos moradores, das vítimas. Quem sacudirá as armas da população, a destreza dos violentos e a desilusão avassaladora imposta pela rotina? Perdi a coragem de denunciar aquela calmaria na beira do mar carioca e de entregar ao público faminto um segredo da minha paz. Quase tento sugá-la rapidamente por entender que sua vida é curta e a minha nem tanto. A passos largos dou as costas, prefiro voltar ao meu asfalto, ao meu ônibus cambaleante, aos meus atropelos de cenários desta cidade.
Aquela cena não era dessa época..talvez eu a localize na banca, pela manhã, com a seguinte legenda: Reconhece esta cidade?
Qualquer carioca responderia sem hesitar.

18 de out. de 2009

Autentiquemos


Reconheço como própria, verdadeira, legítima esta minha exploração pela auto publicação. A convocação para autenticar sua voz, sua identidade, suas aleatoriedades se baseia na própria experiencia em me submeter ao mundo virtual liberando cada postagem ao externo. Que nossos limites sejam redefinidos.. Hoje me torno cobaia do mundo blogueiro, mas também autentico sua liberdade em participar dessa via.. Via sem o "todavia" da língua portuguesa.. Que experimentemos nuestra autenticidad todavía...(y que el blog lo complete!)