Amando mais
Sei que nos tornamos duros com a dor, frios, mas não com a paixão de amar. Essa facção criminosa suicida somente a nós hipnotiza – humanos com anseios, sem dentes para ranger ou pele para arrancar.
Desespero-me lhe esperando. Conto dias sem contar; sofro com a esperança de me entregar; durmo sem relaxar.
A vida ensina, mais uma vez, que o desejo de amar sempre retorna, e que meu coração, mais uma vez, pode se despedaçar.
Quem é você que penetra minhas entranhas adentro, vasculha cada buraco, cada plataforma e não me deixa respirar?
Quem me provoca tanto masoquismo? Que me vence e me envenena com essa poção secreta e sem antídoto?
Vou deixá-lo me salvar, mesmo que signifique a eterna maldição. Estou à sua procura oferecendo meu músculo, o que ama inocentemente e no momento não reage sem o seu olhar.
Pode levá-lo. Hoje meu coração nem merece meu pronome, não vive, não mexe, não consegue, porque só sabe amar.
Esse vício de você, essa multidão que me rouba o ar, me deixa às moscas e aos leões; esse mundo de infâmias somente quer me enganar.
Minha fé hoje se estende... Tenho fé de amar. Você transtorna meu mundo e hoje me observa e me ignora, me espera lhe beijar.
Na minha ânsia invisto todo meu romantismo. Usufruo de todos meus talentos, minhas reservas, minha sobra de esperança. Fecho os olhos e me debato nesse enorme vazio. Sem alma, sem peito, sem coração, sem desejo, me entrego.
Você nem se esforça para certificar. Você vê que agora só restou carcaça. O fim daquela pontinha brilhosa, que vive e se reproduz, aquela célula que se reconstrói, que transporta vida sem sucumbir, você a tem.
Engula cada mísera lágrima, cada célula minha que se forma antes mesmo de chegar a seus lábios. Leve toda minha esperança casada com fé para junto do seu segredo.
Deixe-me juntar com o resto do meu ser. Só aqui eu sei amar.
Se restos de nós são o que nos une, não tenho medo de apanhar. Ensino-me todo dia começando do passo um. Respiro me enganando que cada dia cresce matando meu vigor e ressuscitando meu sorriso. Vivo com dor, vivo lhe amando mais.
Reconheço como própria, verdadeira, legítima esta minha exploração pela auto publicação. A convocação para autenticar sua voz, sua identidade, suas aleatoriedades se baseia na própria experiencia em me submeter ao mundo virtual liberando cada postagem ao externo. Que nossos limites sejam redefinidos.. Hoje me torno cobaia do mundo blogueiro, mas também autentico sua liberdade em participar dessa via.. Via sem o "todavia" da língua portuguesa.. Que experimentemos nuestra autenticidad todavía...(y que el blog lo complete!)
Ai ai, só me fez suspirar nestas tuas palavras. Mas que diaxo é o tal do se entregar e amar, só que, temos outra opção? Penso que não. É tentar e quem sabe acertar, se é que existe tal acerto.
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