Reconheço como própria, verdadeira, legítima esta minha exploração pela auto publicação. A convocação para autenticar sua voz, sua identidade, suas aleatoriedades se baseia na própria experiencia em me submeter ao mundo virtual liberando cada postagem ao externo. Que nossos limites sejam redefinidos.. Hoje me torno cobaia do mundo blogueiro, mas também autentico sua liberdade em participar dessa via.. Via sem o "todavia" da língua portuguesa.. Que experimentemos nuestra autenticidad todavía...(y que el blog lo complete!)

21 de out. de 2009

Artilharia de defesa

Entre os risos dos adultos gordinhos e o reflexo daquela manha nas ondas, me perguntei como poderia ser aquela ilhota de felicidade no caos do Rio de Janeiro. Como poderia ser?
Será que levaremos nossas vidas até sermos os próximos chorando numa tela plana de uma família alheia? Era impressionante, cena de filme. Queria eu ter os dons para descrevê-la em detalhes. Uma simplicidade típica de fim de semana, uma areia tão perfeita em sua conjuntura que já nem enxergava suas impurezas..
Estamos numa notável onda de violência de acordo com os jornais. Um tsunami que passa e demora anos a retornar. Diria um tsunami do noticiário. Como distinguiremos o importante do urgente quando somos privilegiados ao tomarmos controle das manchetes e os machetes rotineiramente nos folheando ate a calmaria de uma manha?
Cada carioca se reconhece no amanha da banca de jornal e cada carioca se acostuma a despriorizar os alertas dos jornalistas, dos moradores, das vítimas. Quem sacudirá as armas da população, a destreza dos violentos e a desilusão avassaladora imposta pela rotina? Perdi a coragem de denunciar aquela calmaria na beira do mar carioca e de entregar ao público faminto um segredo da minha paz. Quase tento sugá-la rapidamente por entender que sua vida é curta e a minha nem tanto. A passos largos dou as costas, prefiro voltar ao meu asfalto, ao meu ônibus cambaleante, aos meus atropelos de cenários desta cidade.
Aquela cena não era dessa época..talvez eu a localize na banca, pela manhã, com a seguinte legenda: Reconhece esta cidade?
Qualquer carioca responderia sem hesitar.

Um comentário:

  1. Putz, muito bom! E eu ainda faço a pergunta, as pessoas estão acostumadas com violência? Penso que não, mas vejo também que a imprensa tenta tornar este fenômeno de violência bem maior do que pode ser. Não digo que isso é uma coisa normal - a criminalidade - mas me perco também neste tsunami onde até o RIO tem um problema bipolar, em uma semana é a melhor cidade do mundo, feita por DEUS para abrigar a guerra velada nas olimpiadas, na outra semana é o lugar onde Deus não olha, pois é um lugar de ninguém, as trevas impera. Ai ai, nem sei mais o que dizer...

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