Fui levantada da cama para tirar a poeira do blog com este tema.
A hesitação em me enfiar pelos poucos centímetros da porta do metrô versus o berlinense repetidamente trazendo um fugitivo no porta malas de seu carro.
Por que nos arriscamos tanto por tão pouco frequentemente e poucas sao as memórias de grandes riscos assumidos conscientemente em troca de uma convicção?
Convicção esta por um dever, um valor, uma crença de estar fazendo o correto, uma sede de poder, ou por pura ignorância. Pensei nos milhares de muros de Berlin aos quais somos reféns e na ousadia que deriva de algo tão ensurdecedor ao ponto de nos atirar via subsolo, via ar, via os próprios postos da fronteira. O que nos rege a metabolizar o risco em prol de uma causa?
Será que escolhemos os riscos que conscientizamos já que constantemente estamos em risco? Quero encontrar aquela fagulha que me faz ser exposta sem pestanejar. Quais são os muros de Berlin da minha geração? Fervor político já não arrasta uma multidão para a Cinelândia? A coragem está individualizada, ou pelo menos disfarçada e não noticiada.
De qualquer maneira, se ainda busco a convicção sobressalente como posso estar perdendo o sono sobre riscos?!? Este é minha cortina de ferro. Coragem, já diziam, coragem!
O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem..
Guimarães Rosa
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